quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Filo Sophia

Talvez seja o stress de provas, TCC, estágio, trabalho e a vida, que, afinal, não pára. Talvez o fato de ser excessivamente família.

Só sei que li isso e chorei. O que é a prova cabal de que o mundo está com os valores totalmente invertidos.

Marcadores: , , ,

terça-feira, 23 de setembro de 2008

O analfabeto que passou no vestibular

Eu estudo em uma universidade paga, dessas que cresceram enormemente nos últimos anos.

Eu estudo em uma universidade que prestigia salas cheias, grade curricular absurda e número reduzido de professores.

Eu estudo em uma universidade que é símbolo da mercantilização acadêmica desses dias.

Eu realmente acho que professores e doutores, ou seja lá o título que possua quem pertença a qualquer tipo de "elite intelectual" é realmente causa E efeito de um sistema medíocre, dominado por uma panelinha que teme perder o pouco de status que lhe resta. E, por tabela, responsável por um povo que tem verdadeira repulsa por literatura (claro, aqui a recíproca é tristemente verdadeira: essa tal literatura, seus escritores e críticos, também sentem repulsa pelo povo).

Portanto, quando li isso aqui, quase chorei de satisfação. Sr. Felipe Pena, meus mais sinceros e ardorosos parabéns! E vou comprar o livro (editora 7 Letras), que também é o título deste post - o que recomendo a todo ser pensante que goste de educação, sob qualquer ângulo.

Há vida inteligente em banânia. Saudemos!

Marcadores: , , ,

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Do porquê ser professor [2]

Curso de aprendizagem, alunos entre 16 e 19 anos, meninos e meninas. Dou aula, entre outras coisas, de Telemarketing (!!!). A turma é muito boa e muito criativa. Como prêmio pelo encerramento do semestre, proponho um teatro educativo, sobre o tema: existem 02 tipos de telemarketing, o ativo e o receptivo. Proponho dividir a sala em quatro grupos, com dois demonstrando a maneira correta de se desempenhar os 02 tipos, e os outros 02 grupos demonstram os erros mais comuns. Cada grupo deve explicar, para a platéia, didaticamente, os erros e acertos, relativos a postura, linguagem, relacionamento com o cliente, etc, afinal, a platéia seria composta por alunos e professores das outras turmas do curso de aprendizagem. Três aulas elaborando os textos, ensaiando, incluindo o conteúdo para afinar os sketches (ou esquetes, se você for da turma do Aldo Rebelo).
Sexta feira, 27 de junho, dia da apresentação. Auditório lotado, mais de 100 pessoas. Alunos, professores, coordenação... todos ali assistindo. E os alunos, literalmente, dão um show. Tinha estabelecido 02 critérios principais: que os alunos incluíssem todo o conteúdo desenvolvido até então e que os sketches fossem engraçados - o que foi cumprido com louvor.
Ao final de 01h15 de apresentações e explicações, a líder do último grupo pega o microfone, agradece a todos pelo empenho e pela concentração, e dedica ao professor, pela paciência e confiança. A meninada urra, os professores aplaudem. Demoradamente. Com lágrimas nos olhos, sou chamado a encerrar a apresentação e, assim que faço, novos e intensos aplausos irrompem. Ganho um abraço caloroso de todos os alunos, que saem tremendamente felizes pela experiência. Quietinho, deixo os alunos celebrarem, subo pra sala dos professores, tomo meu café e vou embora, imensamente realizado e curtindo cada segundo da imensa emoção e carinho dividido e proporcionado. Digerindo as possibilidades de sentido da palavra educador, encarando (e aceitando, realizado) a missão.

Marcadores: , , , , ,

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Do porquê ser professor

Sala de aula vazia. Apenas o professor, em sua mesa, e o aluno, sentado a sua frente. As notas são por menções (O, de ótimo; B, de bom; I, de insatisfatório), e o mestre dá, individualmente, o que é chamado de "feedback" aos alunos, quando das menções: diz onde ele foi bem e onde ele pode melhorar. Um dos alunos lê muito mal - e, pra piorar, quando fica nervoso, gagueja: troca palavras, come letras, pontua e acentua mal. Porém, longe de fazer disso uma desculpa para seu possível fracasso, o garoto toma as rédeas e segue firme. De tanto o professor orientar sobre a necessidade de boa comunicação para o bom profissional de qualquer área, se matricula num curso de "expressão verbal" e sempre pede orientações ao fim das aulas, sobre como e onde melhorar. Durante as aulas, pede para fazer as leituras em voz alta. Professor pede para que ele fique para receber a menção. Então, segue diálogo.

Professor: Sérgio, rapaz. Estou felicíssimo com sua força de vontade. Parabéns! Como recompensa pelo esforço e como referência aos colegas, sua menção, neste conteúdo, é "O".
Sérgio: Nossa Senhora! Quando o senhor me pediu para ficar, imaginei que era bronca, ou que o senhor ia me dizer pra procurar outro curso. Caramba, "O"??? Muito obrigado, professor!
P: Longe disso! Nâo me agradeça, você ganhou esta menção por mérito seu. Essa força de vontade, essa gana, são características de um grande profissional, com um grande caráter. E como prova de que aprovo e louvo este seu esforço, toma. É um presentinho meu pra você. (saca da mesa, escondido embaixo do diário, o livro "Um Cadáver Ouve Rádio", do brilhante Marcos Rey, Série Vaga-Lume).
S (com os olhos cheios d'água): Caramba, professor, muito obrigado. Nem sei o quê dizer... eu... eu... (começa a chorar copiosamente) Muito obrigado! Hoje mesmo vou ler o livro!
P: Querido, literatura é hábito. Começando, você não pára mais. E se aprimora pra vid...
S: Nossa, tem até dedicatória!!!
P: Tem, tem. Vá em frente, rapaz! Força, persista! Você está no caminho certo.
S (chorando): Obrigado, obrigado! (chora, enxuga o rosto e sai da sala, murmurando "obrigado, professor" a cada passo).

Outro aluno entra para o feedback. Senta, me olha com olhar indagador e dispara:

- Professor, o quê o senhor fez ou disse pro Sérgio que ele saiu com uma cara tão feliz aqui da sala? Ele estava literalmente radiante!

Marcadores: , , , ,

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Qual é a nota?

Eu já me lasquei em alguns momentos, na minha vida acadêmica, por expor o que penso de peito aberto. Acreditava, de forma ingênua, que era possível, na universidade, um debate pautado por idéias. Por pontos de vista e visões de mundo. Onde o que reinava era o argumento, o fato, a investigação, a busca pela verdade - e a humildade, caso o erro apareça. Já tive nota descontada, desdém de professor, o escambau. Acabei realizando que as pessoas são escravas de suas convicções e de seu status. Disse "suas" e já corrijo: são escravas de suas convicções ideológicas. São escravas das convicções de seu grupo social. Como Rover não anda em bando, se dá o direito de ser livre. Se há algo a ser escravo, é da minha consciência, dos meus princípios. Só os burros têm certeza, já ouvi algo assim. Adiante. Tudo isso pra chegar nas 02 provas que fiz hoje: Estrutura e funcionamento da educação básica e Didática geral. Você que não cursa letras, ou mesmo pedagogia, tá boiando? Segue trechos da apostila da primeira matéria:

"Vale a pena aqui recordar que fomos colônia de exploração, povoada com o excedente que a Europa rejeitou e isto ficou fortemente marcado no inconsciente coletivo do povo brasileiro."

"Na verdade, o modelo de sociedade, de desenvolvimento adotado, concentrador de renda, segregacionista, baseado no acúmulo de capital das elites, acabou por influenciar o modelo de ensino e de educação do país. E a educação não tem conseguido influenciar a sociedade como um todo no sentido de transformá-la, pois está condicionada a manter o “status quo”."


Como cartão de visitas da segunda matéria só cito o seguinte: pra professora, a grande vanguarda na área da pedagogia é a "Pedagogia Crítica dos Conteúdos", baseada no... materialismo histórico! Sim: Hegel! Trecho das anotações do meu caderno (sim, tive que escrever o que vai):


"...movimento pedagógico interessado na educação popular, valorização da escola pública e do trabalho do professor, do ensino de qualidade para o povo (povo, essa entidade abstrata) e, especialmente, na aceitação da importância do domínio do conhecimento por parte de professores e alunos como condição para participação efetiva do povo nas lutas sociais (na política, na profissão, no sindicato, nos movimentos culturais). A didática, nesta teoria, tem como objetivo a direção do processo de ensinar, tendo em vista finalidades sócio-políticas e pedagógicas..."


Pra quem me conhece, imagina as cólicas que tenho nessas aulas de "pedagogia do oprimido", aquela coisa de "serumano enquanto agente social de transformação" (sim, as 02 professoras são fanzocas do Paulo Freire; aliás, poupo vocês da descrição da pedagogia libertadora, copyright paulofreireano).


E eis que hoje tive as 02 provas, das 02 matérias. E nas 02 provas havia uma questão pedindo texto dissertativo - na de Educação Básica um texto sobre a atuação do governo na questão educacional. Na outra, um panorama histórico da didática: da influência da psicologia (Jung, pra ser mais exato) até a didática crítica de conteúdo. Decidi fazer um teste, arriscando minha sagrada nota (q, a essa altura do campeonato, é o q interessa na "sempre-atualizada"): escrevi um texto menos eu-mesmo possível. Teci loas a tudo aquilo que acho causa do nosso atraso. Que o governo não intervém de forma adequada. Que as verbas são insuficientes. Que o materialismo histórico deu a didática uma posição chave não para entender, mas para transformar a sociedade - e cabe a nós, futuros professores, patrocinar a transformação social pelo conhecimento. Resumindo, enchi de clichês esquerdistas os mais descarados e primários. Depois posto as notas, ou pelo menos os comentários das questões. Mas sou capaz de apostar que, pelo menos nessas 02 questões, mandei bem. Dê às pessoas o que elas querem, não é isso? Que merda...


PS: Que nojo a festança do sindicato distribuindo espumante e uísque 12 anos no congresso. Nojo, nojo, nojo. Como diz o bom e velho Reinaldão, pareço-me um pouco com sindicalistas: aprecio boas bebidas, eles também. Eu bebo com meu dinheiro, E ELES TAMBÉM! Bleargh!

PS 2: Cienciano 0 x 3 Mengão. Jogando bem e na altitude. Lá vamos nós!

Marcadores: , ,

Desenvolvimento de sites
Desenvolvimento de sites