sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

I've been working from 7 to 11 every night

Eu respiro música, mesmo. Quando não estou vendo-ouvindo-tocando estou marcando tempo com as mãos, pernas, pés ou mesmo com a mandíbula (tique que a minha família não se farta de rir a respeito). A minha relação com a música é um negócio muito louco. Então eu sou daqueles que, em determinado período, tem uma música que resumo o estado de espírito deste período em particular. Seja pelo ritmo, pela letra, ou ambos. "I Just Wanna Have Something To Do" e "Cretin Hop", dos Ramones. "Fell On Black Days", Soundgarden. Um monte dos Beatles ("She's So Heavy", "Tomorrow Never Knows", "Loser"), dos Stones ("Can You Hear Me Knocking", "Monlight Mile", "Tumbling Dice", "Love In Vain", "Stray Cat Blues"). Nacionais também, "Carne de Pescoço", do Barão. "Diversão", dos Titãs. Até Engenheiros ("Desde Quando", "Nunca Se Sabe"). Paralamas ("Quase Um Segundo")... enfim, a lista é longa. Dá pra escrever a minha biografia só por esses sons.

Então rola que eu sou um (cada dia mais) apaixonado por blues e tenho trabalhado pra caramba e adoro Led Zep - que já foi minha obcessão com "In My Time Of Dying", "In The Light", "How Many More Times", "Rain Song", etc. A bola da vez é a estupenda "Since I've Been Loving You". E merece um post pq poucas vezes o ritmo E a letra resumiram tão bem meu estado de espírito. Claro, não toda letra pq, quero crer, não tenho sido, creio, "o melhor dos idiotas", que é enganado pela mulher que "não me quer nenhum bem". Sigamos.

Primeiro, um puta blues marcado, lento, sofrido mesmo. Exalando sexo, até mesmo pela performance da banda (o Zep era uma das bandas mais sexuais, no sentido heterossexual da coisa). E uma letra que fala de um cara que não tem tempo pra nada, que trabalha pra cacete (das 07 às 11!) e sofre com essa história toda, pq não vê muita saída não. Pois então, caríssimos, eis o roteiro do meu longa metragem que deu origem à série. Tenho trabalhado ("trabalhado não: dado aula"), basicamente, das 07h às 22h30, até chegar em casa dá 23h - ou seja, I've been working from seven to eleven every night. And it really makes life a drag - I don't think thats right... Vamos à letra:

"Since I've Been Loving You"
(Page / Plant / Jones)

I've been working from seven to eleven every night,
It really makes life a drag, I don't think that's right.
I've really, really been the best of fools, I did what I could. '
Cause I love you, baby, How I love you, darling, How I love you, baby, How I love you, girl, little girl.

But baby, Since I've Been Loving You.
I'm about to lose my worried mind, oh, yeah.
Everybody trying to tell me that you didn't mean me no good.
I've been trying, Lord, let me tell you, Let me tell you I really did the best I could.

I've been working from seven to eleven every night,
I said It kinda makes my life a drag. Lord, that ain't right...

Since I've Been Loving You,
I'm about to lose my worried mind.

Said I've been crying, my tears they fell like rain,
Don't you hear, Don't you hear them falling, Don't you hear, Don't you hear them falling.

Do you remember mama, when I knocked upon your door?
I said you had the nerve to tell me you didn't want me no more, yeah
I open my front door, hear my back door slam,
You must have one of them new fangled back door man.

I've been working from seven, seven, seven, to eleven every night,
It kinda makes my life a drag...

Baby, Since I've Been Loving You,
I'm about to lose, I'm about lose to my worried mind.

Vou traduzir com tempo - agora tenho que voltar pra sala de aula, oh good lord... mas não deixo vcs na mão: segue a versão de 73, deliciosa.

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sábado, 5 de abril de 2008

É tão bonito andar na cidade de São Paulo

Estive em São Paulo hoje, sábado. Grandes Galerias (ou Galeria do Rock, pros iniciados). Deixei o couro lá e voltei vivo, apesar de tudo, Deus do céu! Quatro DVDs, uma blusinha pra Sefir e uma camiseta do filme Kill Bill pra mim (sei q parece coisa de babaca metido a cult, mas mesmo assim cravo sem medo: gosto muito dos filmes do Tarantino. E acho Kill Bill melhor que Pulp Fiction - hoje. Não sou tão definitivo). Mas este não é um post sobre Tarantino. É sobre os DVDs. Cousa fina. Tá, teve um gato por lebre no meio, mas até esse foi ótimo.
  • LED ZEPPELIN - Knebworth 79: First Night. Só não é o "último show" do Zep por que eles tocaram 02 noites e essa é (oh!) a primeira; mas foi a última gig deles (tem coisas q só em inglês mesmo...). É fantástico: primeiro pq é Led Zep, segundo pq eles tocam muito alto, terceiro pq o set é fantástico. Qualidade de imagem de razoável pra boa, o som nítido (hey, it's a bootleg! Que graça teria um bootleg com som surround?). Destaques: abertura, com Song Remais The Same. Sick Again. Ten Years Gone. Achiles Last Stand, ah, caramba... todos os sons! A boa forma de Robert Plant (se não fosse pelo cabelo armado e a blusinha amarradinha, levava 10 com louvor). O desfile de guitarras de Jimmy Page: a Gibson com 02 braços, a Gibson Standard, Fender Stratocaster, Fender Telecaster. E John "Bonzo" Bonham, claro. John Paul Jones? É o cara que mantém o negócio coeso - até pq, os outros 03 estão chapadaços...
  • ROLLING STONES - Ladies and Gentlemen: The Rolling Stones. Quem me conhece há mais tempo sabe o quanto estive atrás disso! Os Stones no auge, tour do Exile on Main Street (a.k.a. "enciclopédia rock"), eles muito doidos, naipe de metais, repertório clássico, som no talo, Mick Taylor e Keith Richards descendo o braço. Cara, começa com Brown Sugar, emenda com Bitch, passa pra Gimme Shelter... tem Midnight Rambler (melhor versão ever), Street Fighting Man, Jumping Jack Flash, Rip This Joint, Tumbling Dice... valeu a pena esperar.
  • BLACK SABBATH - Live in Athens 2005. O tal gato por lebre. Primeiro, o show não é em Atenas. Segundo, não se ouve o público (vá lá, dos males o menor; foda seria não ouvir a banda, né?). Terceiro: vi vários DVDs do Sabbath. Muitos. O que me fez decidir por esse foi o fato de ter a alucinante Into The Void. E NÃO TEM! Beleza... tem Sweet Leaf, o que ameniza a dor. E o som também está decente. E é Black Sabbath: Osbourne, Iommi, Butler e Ward. Yeah!
  • CHRIS CORNELL - Personal Fest: 07 Dicembro 2007. A grande vedete do pacote. Fomos ao (ótimo) show dele em SP, em 13 de dezembro, o que torna este DVD praticamente o registro do show que fomos. Mas não é só isso: na loja, o DVD não queria rodar de jeito nenhum. Até que o cara fez um ajuste e conseguiu meio na cega. Voltamos pra SJC e eu pensando em como me mataria se esse DVD não rolasse em casa. E não é que o bichinho não só rodou moleza como ainda por cima é bom pra cacete? Imagem e som perfeitos (quase surround, hehe), a banda afiadíssima, outro desfile de instrumentos maneiros, e ele cantando muito, inspiradaço. O repertório é aquela delícia, com destaque pros sons do Soundgarden: Outshined, Let me Drown, Spoonman, Black Hole Sun, Rusty Cage (uh!) e o esporro fantástico em Slaves and Bulldozers - com direito a medley: Bela Lugosi is Dead (Bauhaus), 4th of July (Soundgarden) e Whole Lotta Love (Zep). E nessa hora, no show, eu percebi a razão de o Garden não ser tão cultuado: aquilo é som pra pirar. Denso demais pra frequentar parada de sucesso. Muita viagem, muito volume. Azar, eu curti. E aproveito pra deixar um recado pro crítico do Estadão que achou o show morno e a banda poseur: bejame el culo, mané.
Muro das lamentações: muita camiseta doida (Scarface, Godfather, Speed Racer), o cd Tattoo, do Rory Gallagher, por 15 contos!!! Esse eu ainda vou chorar por ter deixado passar. Bem, vou colocar meu Irish Tour pra rolar...

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sábado, 13 de outubro de 2007

Rodoviária (ou "por que alguns discos serão sempre clássicos")

Sexta-feira, 12 de outubro: feriado. Você aguarda a chegada daqueles 03 dias com a convicção de não se mover além do mínimo necessário pra não morrer de fome. Aí, pinta uma missão que te faz ter uma única certeza: não, eu não vou conseguir descansar MESMO. No meu caso, a missão era buscar minha tia na rodoviária. Tanto barulho por tão pouco, não? É, mas olha só: ela sairia do Rio de Janeiro às 23h50. A viagem até aqui dura algo entre quatro horas e meia e cinco horas. Em suma, meu feriado começaria com uma expedição até a Rodoviária num horário super "alternativo": 04h20 e 04h50 da manhã.
Mas pela intensidade do feriado de Nossa Senhora Aparecida, titia só aportou na capital aeroespacial às 06h30. Já feliz (pô, 02 horas de sono a mais, cara!), procurei algo pra ouvir. Dei uma topada clássica no pé do sofá, gritei um "AAH" as soft as I could, lembrei do começo de I Cant Quit You, do (vá lá: com) Led Zeppelin. E comecei a procurar a música, entre meus cd's. Achei logo de cara o primeirão da banda, Led Zeppelin I, de 1969. E aqui a história começa de verdade.
Sexta-feira, 12 de outubro: feriado. Um dia lindo, típico de verão. Temperatura agradável, o que publicitários chamariam de "frescor da manhã". Entrei no carro, coloco o cd, "Good Times, Bad Times", perfeita. Casava com o dia (tanto que teve um trecho sampleado em "Sábado", do Paralamas). Aí pensei: acaba essa eu pulo pra I Cant Quit You, q é a penúltima, e beleza. Só q concentrado na direção, sou atingido em cheio pela introdução de Babe I'm Gonna Leave You: aquele violão chorando, o Robert Plant sussurrando a letra, o finalzinho com o violão chorando um lick arrebatador de blues, no clima. E vem You Shook Me, uma aula de blues, heavy-blues, blues rock: marcadona, quase marcial, pesada, densa, intensa, sensualíssima. E os quatro arregaçando uma Jam Session de cair o queixo, memorável.
E tome Dazed And Confused, dizaí! Me rendi. Knock-down. E enquanto a música entrava numa quebradeira alucinante, me veio a idéia definitiva, inapelável: certos discos são e serão clássicos eternos. Daqui a 280 anos, as pessoas vão colocar um disco assim e pensar isso. Pq o q é bom dura por si só, sem retoques: tem magia própria. Faz de uma ida à Rodoviária um passeio marcante e gostoso. Sem exagero: a boa música deixa a vida saborosa, colorida.
Então, missão cumprida. Busquei a tia, rememoramos pessoas que temos em comum nas nossas vidas, vi algumas fotos, falei de mim e ela falou dela; ela e minha mãe desceram, entraram falando muito e eu subi. Foi numa vibe muito de boa. Cheguei em casa no finalzinho de Communication Breakdown.
Em casa? Ah, não! Não, não e não. Entrei, cumprimentei o porteiro, estacionei o carro. Olhei ao redor, encostei a cabeça no banco, aumentei o volume e escutei I Cant Quit You Baby inteirinha. E a primeira parte de How Many More Times também. E aí o feriadão começou mesmo.


Eis a capa dessa jóia rara: o primeiro zeppelin de chumbo!

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