quarta-feira, 13 de agosto de 2008

A gente nunca chega até as finais

Não gosto de copiar dos outros, mas o podcast do Diogo Mainardi do dia 12 resume muito bem o que penso atualmente do nosso Brasil-sil... íntegra do texto aqui.

"E, à tarde, antes de pegar no sono (...) assisto às reprises das burlescas trapalhadas dos atletas brasileiros. É uma farra. Como é que eles conseguem ser ruins desse jeito? Como é que eles podem perder tanto assim? Eu vaio a TV, assobio para a TV, jogo o travesseiro na TV. Depois viro para o lado e durmo feliz.

O aspecto mais gratificante de se torcer contra os brasileiros é que a gente sempre acaba ganhando. Cada medalha de bronze perdida pode ser comemorada como um triunfo. Mas nossos atletas em Pequim merecem ser festejados por algo muito mais transcendental do que o mero sucesso esportivo. Com suas humilhantes derrotas, eles ajudam a ratificar todos os estereótipos mais grosseiros sobre o Brasil e os brasileiros. O povo dócil. A cultura conformista. O caráter frágil. A personalidade titubiante. O espírito resignado. O pendor para ser eternamente café-com-leite. É reconfortante saber que o país nunca trairá nossas piores expectativas. (...)

O país é uma bateria preliminar dos 200 metros de nado de peito. A gente nunca chega até as finais."

Entonces, segue o hino olímpico brasileiro, by Roger Rocha Moreira. Sem mais.


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terça-feira, 29 de julho de 2008

Non sense

Falem qualquer coisa de Luis Nassif. Mas, para o bem ou para o mal, o homem é incansável. E de uma desfaçatez ímpar. Vejamos o que tão sagaz analista tem pra nós (ele em fonte normal, eu em negrito):

De modo surpreendente, no seu podcast de hoje Diogo Mainardi acabou entregando o jogo em que se meteu no caso Opportunity.
Surpreendente, caro? Acho que não. Veremos. Pra acompanhar, o texto com a íntegra do podcast do "Diego" tá aqui.

O curioso é que, no ataque que fez contra mim na Veja, Mainardi me acusa de trabalhar para a Telecom Itália - o mesmo grupo que ele admite, no podcast, ser sua fonte através do seu fraterno amigo, dal Pino. Em todo esse período joga com a confusão para obter álibis. Chega a hora em que a esperteza acaba por comer o esperto - para usar um provérbio mineiro.
Não, Nassif. O que Mainardi escreveu é que a Telecom Itália patrocina seu site. Aqui, ó. Se isto já faz com que você trabalhe pra eles, é ilação sua. E, aí sim, teríamos uma confissão, hehe...

Em meados de 2005, provavelmente entre maio e junho, a relação se amplia. 18 de maio de 2005 é a data do último ataque (de Veja) a Dantas; 15 de junho de 2005 o início ostensivo da mudança de rota.
Maio de 2005 é a data do último "ataque" (pra ficar num termo nassifiano, tão contrário a monstruosidades como "assassinatos de reputação") a Dantas? Isso aqui não me parece nada alinhado a Dantas (e ainda coloca como "sensíveis" aos interesses de Dantas o tucano Arthur Virgílio e o petista Sigmaringa Seixas). E é de 2006. Ou essa coluna de Mainardi, também de 2006, falando "muito bem" de Dantas e seus negócios. E agora, Nassif?

No dia 28 de abril de 2005 foi anunciado o acordo entre a Telecom Itália e Daniel Dantas, amplamente noticiado na imprensa.
Leia aqui na “Folha”:
A paz entre o banco Opportunity e a Telecom Italia foi selada ontem. O acordo custou 341 milhões, cerca de R$ 1,2 bilhão, aos italianos e a renúncia do Opportunity ao controle da Brasil Telecom, operadora de telefonia fixa da região Centro-Oeste.
Ou seja, quando Mainardi entrou de cabeça no jogo, ao contrário do que ele tenta passar, Telecom Italia e Opportunity já tinham se tornado aliados. E o mentor da aliança, do lado italiano, foi justamente seu fraterno amigo Paolo dal Pino. Sua outra fonte, conforme ele próprio já admitiu, era Daniel Dantas.
Nassif, jornalista iniciante, levou o "paz" do texto ao pé da letra. Claro. Italianos e Dantas pararam de se espionar, a grana parou de rolar, empresários e políticos voltaram pras suas casas, lobbys deixaram de ser feitos, a telefonia seguiu em harmonia e a paz reinou. Tudo isso graças ao auxílio de Mainardi e Veja, com suas fontes e matérias. Claro. Outro ponto: ele não admite Dantas como "sua outra fonte". Não neste processo dos documentos italianos.

Na época, Mainardi fazia o jogo de Dantas; e fazia o jogo da Telecom Italia. E fazia porque a Telecom Italia passou a fazer o jogo de Dantas.
Ora, ora: Mainardi foi a ponte MESMO da tal "paz", não? Telecom Italia e Opportunity se pegavam, mas o super-Mainardi tinha ambos como fonte, e a paz foi feita. Afinal, Mainardi entrara "de cabeça" no jogo. E os italianos toparam pagar mais de 1 bilhão. Simples assim.

No recente episódio do Inquérito italiano, e sua tentativa de influenciar o Inquérito da Kroll, no Brasil, o jogo só tinha um lado interessado, Daniel Dantas, já que a parceria com os italianos se encerrou há tempos e eles só estão envolvidos no inquérito que corre na Itália.
Outro erro, Nassif. Como já foi fartamente noticiado (aliás, principalmente pelo próprio Mainardi), ninguém pára em pé nessa história dos italianos. Tanto é que o Ministério Público, tão célere em acusar via blogs, não se mexe pra ver esses documentos. Nassif noticia o inquérito dos italianos como se fosse coisa deles lá, e pronto-cabô. Como se políticos e empresários brasileiros não tivessem sido citados em grande parte do processo. Imagino que não muito bem, claro.

Não sei se por pânico ou o quê mais, por desespero atrás de um álibi qualquer, Mainardi acabou entregando-se de bandeja, jogando com datas e imaginando que o engodo passaria em branco.
Entregando-se de bandeja? Mainardi cansou de citar que suas fontes eram italianas, sendo esculachado por tudo e todos (inclusive por LN). Agora que ele fala de uma fonte italiana... ele está se entregando? Confesso não ter entendido essa parte. E datas? Mas que datas são essas? O paladino da ética e do jornalismo de serviços não fala. Ou serão as datas de seu delírio chamado por ele de dossiê? Mainardi se confundiu a partir do raciocínio de LN? Como assim? Confesso, novamente, minha ignorância. Isso me foge.

E, last but not least, um trecho da coluna de Mainardi de JUNHO DE 2006, portanto mais de um ano depois do "direcionamento" pró-Dantas em Veja: "Meu primeiro contato com Daniel Dantas e seus homens ocorreu em setembro do ano passado, depois que publiquei duas colunas acusando-o de ter financiado o mensalão."

Isso é que é alinhamento, não?


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quarta-feira, 26 de março de 2008

Análise de discurso: um esboço

Para entender melhor: o colunista Diogo Mainardi (Veja) desnudou o jornalista Paulo Henrique Amorim em seu podcast. Paulo Henrique Amorim, fiel a seu estilo, negou (através de nota na página oficial de seu blog). Mas negou de uma forma tão primária que nada ali se sustenta. Então achei uma boa possibilidade de exercitar certos fundamentos da Análise de discurso. PHA fonte normal, El Rover em negrito:

"O colunista Diogo Mainardi - a quem processo no crime e no cível - mentiu sobre o meu novo provedor.
Em nenhum momento no podcast Diogo cita a palavra "provedor". É SERVIDOR - eis o truque. E é Nexxy sim senhor - utilizado pelo provedor da DHC, como se PODIA verificar pelo registro.br. Podia, só por um pequeno detalhe: depois do podcast, PHA alterou o registro do domínio.

(Como se sabe, saí do iG depois de uma operação de "limpeza ideológica" executada por um certo Sr. K. e Caio T. - de Tartufo - Costa.)
Até acredito em limpeza ideológica - mas sob um ângulo um pouco diferente do que fala PHA. Por motivos parecidos, mas pontos de vista diferentes. Digamos que o mocinho não é tão mocinho e o vilão não é tão vilão.

Por sugestão de meu amigo Luiz Roberto Demarco, fui para um novo provedor, o DHC Outsourcing. Demarco me faz muitas sugestões.
Por que eu não tenho amigos com a grana e a influência de um Demarco? E, pelo jeito, a sugestão de Demarco não foi tããão boa: como falei acima, ele alterou o registro...

Sobre vinhos, por exemplo. Nunca os que toma o ex-ministro Jose Dirceu, porém. Dario Boralli, presidente e fundador da DHC, me autorizou a informar que hospeda centenas de clientes entre algumas das maiores empresas do Brasil da indústria manufatureira, bancos e empresas de mineração.
PHA lista os atributos da empresa como se fosse prova de idoneidade. Pena que a mensagem que fica é de que a DHC não tá com essa bola toda - afinal, menos de 24h depois do podcast do Mainardi, alterou o registro.

A PHA é a sua mais nova cliente (e provavelmente a mais modesta) do setor de serviços."
E o cara não nega que o que faz é "serviço"; pra bom entendedor, um pingo é letra.

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